RITALINA EM CRIANÇAS

Fonte: http://abrapee.wordpress.com/2012/05/25/uso-de-ritalina-causa-efeito-zumbi-em-criancas/

Uso de Ritalina causa “efeito zumbi” em crianças

Publicado em 25 de maio de 2012 

No encontro “A Medicalização em Crianças e Adolescentes e o Uso de Drogas”, a Coordenação de Políticas sobre Drogas (Coed), da Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania, propôs um debate sobre uso excessivo de Metilfenidato, componente do medicamento Ritalina. Em crianças, a droga é prescrita para tratar alguns transtornos e, em jovens, para aumentar a concentração nos estudos.

Presentes no encontro, a pediatra Maria Aparecida Moysés e a pedagoga Cecília Azevedo Lima Collares, ambas da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp) e especialistas no assunto, concluíram que a Ritalina não traz os benefícios indicados pelos médicos.

Droga da obediência

Alguns neurologistas e psiquiatras disseminaram que o Metilfenidato funciona como “amplificador cognitivo”, ou seja, aumenta a capacidade de aprendizagem e concentração. “É mais um ‘dopping intelectual’, a pessoa fica focada demais em um uma única atividade”, explicou a pediatra. “A Ritalina vem sendo chamada de ‘droga da obediência’, porque a pessoa que usa fica como um ‘zumbi’. Você a manda fazer 300 exercícios, ela faz sem questionar”.

Em crianças, a droga é recomenda para tratar Dislexia, Transtorno do Déficit de Atenção com Hiperatividade (TDAH) e Transtorno Opositivo-Desafiador (TOD). Para chegar a esse diagnóstico, muitos médicos usam apenas um questionário padrão. “Criança que incomoda é diagnosticada com algum transtorno, então, é medicada mais para parar de atrapalhar. O uso da Ritalina deixa a criança apática e contida”, disse a pediatra.

O empresário Eduardo Cremonesi foi chamado na escola de seu filho de nove anos. Os professores avaliaram que o menino era hiperativo e tinha dificuldade de aprender. Indicaram um neurologista. Preocupado, o pai, que é dono de farmácia, levou o garoto ao local indicado. O médico receitou Ritalina.

O menino realmente não era bom aluno, mas se destacava no futebol e no violão. “Durante o tempo em que ele foi medicado, não se tornou um aluno melhor e, pior, parou com o futebol e com o violão”, contou Cremonesi. Aos 13 anos, o jovem sofreu três desmaios súbitos. O pai abandonou o remédio e procurou outro médico. Hoje, aos 16 anos, o adolescente ganhou aulas de futebol e violão, em troca, se esforça mais na escola. Não usa mais o medicamento.

Ritalina na escola

Segundo observação das duas profissionais, após breves cursos, muitos professores têm “diagnosticado” alunos como portadores dos transtornos: Dislexia, TDAH e TOD. “O papel do professor é ensinar, não diagnosticar”, disse a pedagoga Cecília Azevedo Lima Collares. “A própria indústria farmacêutica treina os professores. Influenciados, eles diagnosticam e indicam o médico, que receita a Ritalina, e a indústria ganha”.

O uso excessivo do medicamento está associado a dependência química. “Segundo o Genetic Science Learning Center, da Utah University, 30% a 50% de jovens em tratamento por dependência química relatam já ter abusado de Ritalina. O fácil acesso, o preço baixo e a conivência de alguns médicos são facilitadores”, explicou Maria Aparecida.

O coordenador da Coed, da Secretaria da Justiça, Luiz Alberto Chaves de Oliveira, foi anfitrião do evento. Para ele, a medicalização é um mal a ser combatido. Em suas palestras, sempre acrescenta que o problema das drogas é de toda a sociedade. O secretário adjunto da Justiça, Fabiano Marques de Paula, que participou da abertura do debate, acrescentou. “Temos que fazer um esforço conjunto entre sociedade, autoridades e poder público para encontrar um caminho que solucione a problemática das drogas”.

Fabiana Campos

Assessora de Imprensa
Secretaria da Justiça e da Defesa da Cidadania
Governo do Estado de São Paulo
 (11) 3291-2612 – Ramal: 2761

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